Dr. Adriano pede abertura de CPI para investigar a situação da saúde...

Dr. Adriano pede abertura de CPI para investigar a situação da saúde em Casimiro de Abreu

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O Hospital Municipal Ângela Maria Simões, em Casimiro de Abreu, está em estado de calamidade. Registros de óbitos por falta de atendimento e estrutura preocupam a população, que já recorre a municípios vizinhos em busca de atendimento. O vereador Dr. Adriano Lima, que é médico, já denunciou dezenas de vezes a urgência em se tomar as rédeas da administração do hospital, que hoje é controlado pelo IGH (Instituto de Gestão e Humanização). Mas diante da omissão do Poder Executivo, Dr. Adriano informou na Sessão Legislativa de hoje, 20, que irá instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a real situação da saúde no município. Falta de profissionais no hospital – hoje o atendimento é feito por dois médicos, e quando um deles sai para chamado externo, sobra apenas um para atender toda a população; falta de equipamentos básicos de saúde; falta de medicação. Problemas que resultam em perdas de cidadãos casimirenses.

– Vamos instaurar uma CPI. Vamos encaminhar os problemas do nosso município, da nossa saúde, do nosso hospital para o Ministério Público. Vamos encaminhar esses problemas para o CRM (Conselho Regional de Médicos), para o COREN (Conselho Regional de Enfermagem). Se não temos número de funcionário suficiente, que coloquem. Se não temos médico suficiente, que coloquem. Não to dizendo que a culpa é do atendimento, não, o que falta é estrutura. O que falta é prioridade. Em nosso município está cada vez mais morrendo gente – explicou Dr. Adriano.

Na última quarta-feira, 14, Carla Figueiredo, de 40 anos, foi mais uma vítima da má administração do Hospital Municipal. Mãe de dois meninos, um de 4 e outro de 7 anos, Carla sofria de Lupus, mas, segundo a família, a doença estava controlada. Faleceu ao lado do pai, Carlos Brasil, aguardando uma vaga para o CTI (Centro de Tratamento Intensivo). Procurado pelo pai da vítima, Dr. Adriano foi ao hospital tentar ajudar a paciente, mas foi surpreendido pelo péssimo atendimento dado pela assistente social do Hospital.

– O nome da funcionária é Marta. Eu disse pra ela: “estou vindo aqui porque a família pediu”. Sabe o que ela falou: “só falta o presidente vir aqui agora”. Olha a resposta que uma funcionária que atende uma família debilitada fala para as pessoas. É a funcionária que nós temos dentro do hospital. Nós temos que aceitar tudo isso calado? Temos que ver as pessoas morrerem calados? Nós temos que denunciar – disse o vereador.

Ainda segundo Carlos Brasil, pai da paciente, sua filha procurou atendimento por três dias consecutivos, até não aguentar e vir a óbito dentro do Hospital Municipal.

– Ela foi na segunda, disseram que era infecção urinária. Foi na terça, pediram vaga para a enfermaria. Na quarta, vaga para o CTI. Na quarta à tarde ela faleceu. Faleceu no colo do pai. O pai gritando e chorando pedindo socorro.

Em conversa via aplicativo WhatsApp, o presidente da Câmara Legislativa, Rafael Jardim, disse ao vereador Dr. Adriano que o profissional de saúde que atendeu Carla no hospital informou que “uma senhora de 40 anos com Lupus não tinha o que fazer, que nenhum CTI iria dar jeito ou aceitar”, o que discorda Dr. Adriano.

– Ele fala isso para o presidente porque ele não é da área de saúde. Quero ver falar para mim. Nem o mínimo de suporte de vida deu para a paciente. Nem entubou enquanto ela estava necessitando, com falta de ar, morrendo sem respirar. O médico que acompanhava a paciente há anos disse ao pai: “pode ficar tranquilo que de Lupus ela não morre”. Não podemos deixar que outras pessoas morram desse jeito. E prestem atenção no que eu to dizendo: um dia pode ser a gente. Esse dia pode ser logo ou mais tarde.

Para evitar que novos casos venham a acontecer no município, Dr. Adriano vai levar adiante a instauração da CPI, que já conta com a assinatura de outros três vereadores: Ramon Gidalte, Neném da Barbearia e Lelei da Marmoraria.

– O que eu quero fazer aqui não é fazer política em cima de saúde. Eu quero fazer saúde – concluiu Dr. Adriano.

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